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É muito comum nas empresas, consultórios, escolas, universidades, etc. a busca por metodologias que nos deem respostas, caminhos e saídas para os nossos problemas. Buscamos diagnósticos para nos encaixotar em rótulos. Remédios para nos distanciar das causas da dor ou embebedarem a nossa mente, nos distanciando de nós mesmos. Surgem os livros de autoajuda e as palestras motivacionais como soluções imediatas, por vezes mágicas, para nos salvar numa doce ilusão que o outro terá a resposta para as minhas angústias.

 

Na primeira metade do século passado, o psicólogo americano Carl Rogers percebeu, sentindo na pele, que os diagnósticos e as anamnese os distanciavam daquilo que interessa numa relação, que era de fato compreender o outro, sem ser o outro. Ele notou isso num atendimento a uma cliente, quando após fazer uma série de perguntas, segundo ele mais de cem, durante mais de uma hora de conversa, sua cliente disse, na hora de ir embora, “Eu esperava ser ouvida hoje aqui”. Foi como um raio que caiu sobre sua cabeça. Como poderia estar com alguém sem estar verdadeiramente com ela? Segui todos os protocolos! Fiz tudo que o script pede, mas não estive com ela, pensou Rogers, que a convidou para retomar, agora sim, uma conversa verdadeira.

 

E foi assim que nasceu a abordagem centrada na pessoa (ACP). Na visão de Rogers, o indivíduo precisa apenas de um ambiente que promova condições para que ele busque seu caminho, suas respostas e encontre-se. E cabe ao facilitador ou psicólogo promover esse ambiente, apenas ajudando o indivíduo ou grupo a encontrar sua trajetória de aprendizagem.

 

Segundo essa abordagem, ter empatia é permitir-se perder-se com o(a) outro(a) num quarto escuro, e juntos(as) encontrarem uma saída. Aquele(a) que ajuda não tem a salvação, tem apenas a disposição em ajudar incondicionalmente o(a) outro(a).

 

Carl Rogers costumava citar Lao-Tsé, filósofo e poeta da China antiga, para descrever o que é a Abordagem Centrada na Pessoa:

 

"Se eu deixar de interferir nas pessoas,

elas se encarregam de si mesmas.

Se eu deixar de comandar as pessoas,

elas se comportam por si mesmas.

Se eu deixar de pregar às pessoas,

elas se aperfeiçoam por si mesmas.

Se eu deixar de me impor às pessoas,

elas se tornam elas mesmas."

 

- Escrito por Alexandre Moreno, facilitador de processos de aprendizagem pela Abordagem Centrada na Pessoa, idealizador e fundador da Syntese Educação Corporativa.