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Assista ao documentário clicando aqui!

O PapodeHomem é um projeto que existe há 13 anos. Acreditamos que os homens podem mudar e caminhar pelo mundo de uma maneira mais compassiva, empática, generosa e amorosa.  Nossa missão é ser um agente positivo de transformação das masculinidades.

Dentre inúmeros projetos que já conduzimos ao longo da nossa existência, em 2016 lançamos nosso primeiro documentário com pesquisa, que escutou mais de 20.000 pessoas. Ele nos mostrou que 7 em cada 10 homens não falam sobre seus maiores medos e dúvidas com os amigos.

Já notávamos o mesmo fenômeno em nossas rodas de conversa há mais de 10 anos. E, à medida em que nos aprofundamos no estudo sobre masculinidades, observamos como esse silêncio está na raiz de vários outros problemas.

Violência doméstica, ausência de mulheres em posições de poder na política e economia, assédio, altíssimas taxas de suicídio, homicídio, mortes no trabalho e encarceramento entre os próprios homens... a lista é longa.

Silêncio aqui tem sentido amplo. É emocional, verbal, social, tanto individual como coletivo. Estamos falando de uma rigidez psicológica, que se torna um vulcão quando associada aos "mandamentos da masculinidade": ser bem-sucedido profissionalmente, não agir de modos que pareçam femininos, não levar desaforo pra casa, dar em cima das mulheres sempre que possível, não expressar emoções, entre outros.

O silêncio observado entre os homens não é uma grande conspiração masculina, é como fomos criados. A maioria de nós foi treinado para sufocar o que sente, aguentar o tranco e peitar a vida, como machos.

Acontece que essa maneira de existir e estar no mundo tem causado danos, para as mulheres, para outros homens e para nós mesmos. E como tem acontecido ciclicamente ao longo da história com os papéis de gênero, é tempo de mudar.

O Papo de Homem, então conduziu uma pesquisa que entrevistou mais de 47 mil pessoas pelo Brasil inteiro em busca de algumas respostas. Além disso, rodamos o país para falarmos com os principais projetos que atuam no campo da transformação das masculinidades. Conversamos com as pessoas por trás de inúmeras iniciativas, que estão de norte a sul, como Projeto Memoh, Homem Paterno, PrazerEle, Roda5070, Afropai, SERTA, Lá da Favelinha e várias outras.

Além da tese sobre o silêncio, tínhamos também por trás do projeto a pergunta: será que existe um movimento de transformação dos homens acontecendo? Essa é uma pergunta que deixamos a resposta para cada um.

Alguns insights da pesquisa

Identificamos em nosso estudo que 6 em cada 10 homens declaram lidar hoje com algum tipo de distúrbio emocional. Os principais distúrbios são:

-    ansiedade

-    depressão

-    insônia

-    vício em pornografia

-    e, em seguida, vícios em álcool, drogas, comida, apostas e jogos eletrônicos

É provável que, se você for homem, sofra ou tenha sofrido com algum desses, sem falar com ninguém. O fechamento emocional atua como uma camisa de força, tornando ainda mais difícil tudo que os homens enfrentam no dia a dia.

Hoje, 83% das mortes por homicídios e acidentes no Brasil são de homens. Vivemos 7 anos a menos que as mulheres e se suicidam quase 4 vezes mais. 17% dos homens lida com algum nível de dependência alcoólica. Quando sofrem um abuso sexual, demoram em média 20 anos até contar isso pra alguém. Cerca de 30% enfrentam ejaculação precoce ou disfunção erétil. Homens são 95% da população prisional no Brasil, sendo que a maior parte dos encarcerados são jovens, periféricos e com ausência de figura paterna. Negros e LGBTs sentem muito mais boa parte disso.

Os homens sofrem, mas sofrem calados e sozinhos.

Como foi possível tirar do chão um projeto como esse?

Para este projeto, recebemos o apoio de Natura Homem e Reserva. Sem a crença legítima, recursos e imensa energia deles, esse filme não existiria.

Juliana Fava liderou a etapa qualitativa do estudo, por meio da qual conversamos com dezenas de especialistas, com o olhar afiado de Caio César na filtragem desses diálogos. Zooma Inc. trouxe seus 16 anos de experiência para conduzirmos uma pesquisa quantitativa única, que alcançou incríveis 47.002 respostas.

A Monstro Filmes realizou toda a produção, captação, direção e montagem do documentário, capitaneada por Luiza de Castro, Ian Leite, Cecília Leite, Ana Higa e mais um time de talentos.

Estudio Nono fez a maravilhosa identidade visual.

A ONU Mulheres e Campanha #ElesporElas nos deu apoio institucional, que vai ajudar essa mensagem a chegar mais longe.

No time do próprio PdH, Ismael dos Anjos foi incansável na coordenação do projeto. Felipe Ramos cuidou dos aspectos negociais e jurídicos, Luciano Ribeiro do editorial, Gabrielle Estevans do PR, Rachel das exibições voluntárias pelo país, Bia e Carol das finanças e administrativo.

Contamos ainda com Gustavo Venturi como consultor de pesquisa em gênero e masculinidades.

Agradecemos a todos, pois sem a participação de cada um, esse projeto jamais teria saído do papel.

Nasce o Instituto PdH

Esse é um projeto feito para furar bolhas e dialogar com todos e todas. Não à toa, também surge do ventre de uma imensa rede de coletivos, com pessoas negras, brancas, hetero, não hetero, trans, progressistas, conservadoras, jovens, adultas, velhas, de norte a sul do país.

Queremos contribuir para que o tema masculinidade seja pautado de modo construtivo. Não podemos falar apenas do que falta e falha nos homens, é essencial sonharmos outras masculinidades possíveis, saudáveis. Por isso miramos nossa luz em responsavelmente mapear soluções, não em buscar culpados.

Esse trabalho também marca o nascimento do Instituto PdH — novo posicionamento de nosso braço de pesquisa, o antigo "PdH Insights", com atuação desde 2016. Instituto PdH significa Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento Humano.

Nosso foco já é e seguirá sendo a pesquisa e desenvolvimento em florescimento humano. Ou seja, tomando nosso mundo interno como eixo, vamos mergulhar em diversos campos — sendo masculinidade apenas um desses territórios.

Nosso trabalho mais recente foi o projeto "Construindo pontes e derrubando muros: como conversar com quem pensa muito diferente de nós?".