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O dólar já ultrapassou a barreira de R$ 5,00, fato até então inimaginável há poucos meses atrás. Entre os fatores que levaram a essa alta estão a chegada do coronavírus no país e a crise na bolsa de valores.

Analistas de mercado evitam projetar o valor máximo que a moeda americana pode alcançar. Neste cenário, fica o alerta: o índice é realmente assustador e, certamente, terá impacto não apenas na vida de viajantes, investidores e empresários, mas, principalmente, na vida da população em geral. Essa, a mais prejudicada, enfrentará altas nos preços.

A população brasileira é atingida, pois somos consumidores. Somada à inflação, que também está aumentando, a alta da moeda americana reflete diretamente no preço de produtos e serviços do nosso cotidiano, encarecendo-os substancialmente e, consequentemente, diminuindo o nosso poder de compra.

Um exemplo de aumento é o relacionado ao trigo, que é em grande parte importado, o que irá refletir no aumento no preço do pãozinho da padaria, bolos e diversos produtos do dia a dia do consumidor. No supermercado, isso deve ser sentido, também, em todos os produtos que possuem matéria-prima. Se o dólar aumenta, os preços desses produtos aumentam também.

Isso se replica em todos os setores que utilizam ou vendem matérias-primas, produtos que são ou possuem peças importadas. Com isso, a perspectiva é que se observe, também, a alta dos índices inflacionários. Não há como dizer que não haverá impacto no cotidiano das pessoas.

Embora não seja motivo para pânico, muitos cuidados devem ser tomados nesse período. Por isso, o melhor a fazer é reunir a família, rever os custos diários e mensais, reduzir os excessos e supérfluos e fazer algo que parece óbvio, mas muita gente não consegue: garantir que o ganho sempre seja maior que as despesas.

Também alerto para uma questão que chamo de efeito elástico da alta de preços. Mesmo que a cotação do dólar caia após esse período, o mesmo não deve acontecer com o preço. Quando observamos esses tipos de aumentos, observamos que, depois, mesmo com a cotação voltando aos valores antigos, o mesmo não acontece com os preços, que podem até ter uma redução, mas não na mesma proporção.

Por isso a necessidade de adequação de todos a essa nova realidade, pois não adianta ter expectativa de melhoria. É hora de assumir a responsabilidade, encarar a realidade e mudar os hábitos para passar por essa situação de maneira sustentável e consciente.

A reeducação financeira é a solução para os novos tempos.

Sobre o autor:

Reinaldo Domingos está à frente do canal Dinheiro à Vista. É PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira. Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira.

 

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