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As primeiras indústrias a operar no espaço

Em breve, o espaço vai ser um lugar onde as indústrias que impulsionam nossa economia mundial vão fazer negócios. Trata-se de um novo domínio econômico sem fronteiras, que não se limita a um único planeta. Afinal, Terra, Marte, Lua, bem como outros asteroides próximos à Terra (NEA) podem gerar receita e lucros para setores privados, criando um meio novo, acessível e lucrativo para desenvolvedores que quiserem realizar negócios.

 

De acordo com o Fórum Econômico Mundial (FEM), alguns setores já estão olhando para cima em busca da próxima oportunidade de crescimento. A seguir veja as informações do FEM sobre os primeiros setores que vão aproveitar essa esfera econômica expandida:

 

Energia

Avaliada em mais de 8,4 trilhões de dólares e com uma taxa composta de crescimento anual de 4,1%, a energia é a maior indústria da Terra. E humanos são consumidores de energia que só se multiplicam. E em breve, isso vai acontecer no espaço. Tanto que o dono da Amazon, Jeff Bezos, confiando que nas próximas décadas “milhões de pessoas vão viver e trabalhar no espaço”, investe mais de um bilhão de dólares por ano em sua empresa de transporte espacial, Blue Origin. Só que viabilizar a presença humana no espaço vai exigir enormes quantidades de energia para que as pessoas possam viver, trabalhar e se locomover. E tudo vai ser movido à energia solar, que é a fonte mais efetiva quando coletada diretamente do espaço. Além disso, foguetes espaciais químicos vão ser o principal meio de transporte, amparando a economia espacial. Inicialmente, esses foguetes vão ser lançados da Terra. No entanto, um modo mais sustentável de ter uma fonte de energia para esses lançamentos vai ser a extração de recursos naturais fora da Terra.

 

Mineração

Nos últimos anos, o setor de mineração mundial teve uma queda brusca em seu valor de mercado, mas isso pode mudar rapidamente uma vez que a mineração será transformada pela indústria emergente de recursos espaciais.

Os recursos espaciais podem ser extraídos de corpos celestes, principalmente asteroides e a Lua. Mesmo que muita gente não acredite, a mineração de asteroides é algo mais possível do que se imagina, com custos comparáveis ??às minas tradicionais. Não à toa, Luxemburgo investiu 227 milhões de dólares para fazer deste país um hub europeu de recursos espaciais, promovendo a exploração pacífica e o uso sustentável dos recursos espaciais para o bem da humanidade. As atividades de mineração espacial inicialmente vão se concentrar na água e propulsores derivados da água para permitir infraestrutura no espaço. A partir disso, as empresas vão poder buscar metais para projetos de construção e, eventualmente, metais preciosos necessários para a manufatura no espaço.

 

Transporte

O recurso mais importante extraído no espaço vai ser a água, pois é fundamental para todas as funções de apoio à vida: manutenção, higiene e produção de alimentos. Além de servir como um escudo eficaz contra a radiação perigosa presente no espaço, a água é a matéria-prima mais importante para as refinarias no espaço, que vão produzir propulsores de foguetes para fornecedores de transporte.

Produzir propulsores além da influência gravitacional da Terra vai levar à criação da primeira superestrada no espaço. Com isso, veremos o crescimento das indústrias de energia, mineração e refinação, livres dos limites da economia da Terra. As empresas de transporte e logística no espaço que vão consumir esses produtos já estão bem estabelecidas e lideradas por titãs da indústria: Jeff Bezos (Blue Origin), Elon Musk (SpaceX), Richard Branson (Virgin Galactic) e Tory Bruno (United Launch Alliance). A porta está aberta a empresas de mineração para que se apropriem desse mercado no espaço, fornecendo água e propulsores à base de água para o setor de transportes espaciais.

 

Construção

Hoje, o setor de construção mundial compete com o setor de energia para ter o título de maior indústria do mundo — e essa rivalidade vai continuar no espaço. Os primeiros sistemas de construção orbital serão implantados antes do fim desta década. Essas naves espaciais robotizadas vão ser capazes de montar grandes estruturas em órbita e reparar ou reabastecer os satélites existentes. Ao combinar técnicas de fabricação de gravidade zero, sistemas de construção vão poder “imprimir” e montar estruturas maciças no meio do espaço. O futuro da construção no espaço não vai se parecer em nada com o que é feito na Terra, mas será igualmente valioso porque as técnicas e ofertas de serviços serão aplicadas em toda a cadeia de valor no espaço. Uma refinaria de propulsor poderá ser montada em órbita. As minas de asteroides poderão ser reparadas de forma autônoma. As usinas de energia solar poderão ser amplamente dimensionadas e atualizadas para atender aos requisitos de quase qualquer projeto.

 

Hospitaleiro e imobiliário

Seres humanos só vão poder viver, trabalhar e curtir no espaço, se houver uma forma de se proteger contra o ambiente agressivo do espaço. Hoje, a Estação Espacial Internacional (ISS) consegue manter a presença humana há mais de 10 anos, mas isso vai mudar em breve. Numerosas empresas de estações espaciais comerciais competem por contratos lucrativos que vão desde o apoio a astronautas poderosos e turistas de alta renda até a locação de locais no espaço para a manufatura orbital, pesquisa e programas de desenvolvimento. Habitats espaciais inicialmente vão ser lançados da Terra, mas à medida que a cadeia de abastecimento de recursos se expandir e os metais dos asteroides e da Lua estiverem disponíveis, este setor também vai poder contar com recursos vindos do espaço. As empresas de construção vão combinar matérias-primas metálicas de alta qualidade com frotas robóticas de montagem orbital para criar megasestruturas orbitais: hotéis, fábricas e moradias permanentes, que não vão ser mais limitados pelo tamanho. As primeiras cidades do espaço vão ser possíveis à medida que surjam os mercados de imóveis em órbita.

 

Fonte: WEF (FEM)