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Cidadania digital ao usar tecnologia

A cidadania digital pode ser definida como o conjunto de normas de comportamento responsável/adequado em relação ao uso da tecnologia.

 

Para entender um pouco melhor o que isso significa, conheça abaixo os Nove Elementos da Cidadania Digital, elaborados por Mike Ribble, autor e consultor do Digital Citizenship Institute:

 

1. Etiqueta Digital: padrões tecnológicos de conduta ou procedimento.

Frequentemente, quem usa tecnologia vê este ponto como um dos problemas mais prementes ao lidar com a Cidadania Digital. Todo mundo reconhece um comportamento inadequado, mas antes de começar a usar a tecnologia ninguém aprende etiqueta digital (isto é, normas ou procedimentos de conduta adequados ao meio digital). Muitas pessoas se sentem desconfortáveis de falar com os outros sobre sua falta de etiqueta digital. Regras e regulamentos, ou simplesmente a proibição, são utilizados como forma de parar o uso inadequado da tecnologia. No entanto, criar regras e políticas não é suficiente, devemos ensinar todos a se tornarem cidadãos digitais responsáveis na sociedade atual.

 

2. Comunicação Digital: troca digital de informação.

Uma das mudanças significativas da revolução digital foi a forma de nos comunicar com outras pessoas. No século XIX, as formas de comunicação eram limitadas. No século XXI, essas opções explodiram oferecendo uma ampla variedade de escolha (e-mail, celulares, mensagens instantâneas). A ampliação das opções de comunicação digital impactou tudo, permitindo a todos se manter em comunicação constante com qualquer pessoa, colaborando com quem desejar, de qualquer lugar e a qualquer hora. Infelizmente, muitos usuários não são ensinados a tomar decisões apropriadas quando confrontados com as mais variadas opções de comunicação digital.

 

3. Letramento Digital: processo de ensinar e aprender sobre a tecnologia e seus usos.

Mesmo que algumas escolas venham fazendo progressos na área da tecnologia, ainda há muito por fazer. É preciso renovar o foco constantemente sobre quais tecnologias devem ser ensinadas, bem como sobre como devem ser usadas. Novas tecnologias que não são usadas na escola são adotadas nos locais de trabalho. Cada vez mais, profissionais de diversas áreas necessitam de informação imediata (just-in-time). Este processo requer capacidades sofisticadas de pesquisa e processamento da informação. Numa sociedade digital, aprendizes devem ser ensinados a aprender — qualquer coisa, a qualquer hora, de qualquer local. À medida que surgem novas tecnologias, eles precisam aprender a usar essas tecnologias de forma rápida e adequada. A Cidadania Digital envolve educar as pessoas de uma nova maneira — para tanto, precisam de um grau elevado de competências no campo do letramento digital.

 

4. Acesso Digital: participação digital plena na sociedade.

Quem aplica a tecnologia precisa estar consciente e apoiar o acesso digital a todos, criando fundamentos para a Cidadania Digital. A exclusão digital de qualquer tipo não contribui para o crescimento das pessoas numa sociedade tecnológica. Todas as pessoas devem ter acesso equitativo à tecnologia. Locais ou organizações com conectividade limitada também devem ser abordados. Para sermos cidadãos produtivos, precisamos estar comprometidos com a igualdade de acesso digital.

 

5. Comércio Digital: compra e venda online de bens.

Grande parte da economia de mercado já é feita online. São realizadas operações legítimas e legais, mas o comprador e o vendedor têm de estar conscientes dos problemas associados. A disponibilidade geral de compra de bens pela Internet tornou-se comum para a maioria das pessoas. Simultaneamente, surge uma quantidade equivalente de bens e serviços ilegais/imorais, como pornografia e jogos de azar. Os usuários têm de aprender a ser consumidores eficazes nesta nova economia digital.

 

6. Lei Digital: responsabilidade digital sobre obras e ações.

A lei digital trata da ética da tecnologia na sociedade. O uso não-ético manifesta-se sob a forma de roubo e/ou crime. O uso ético manifesta-se respeitando as leis da sociedade. Usuários precisam ter consciência de que roubar ou causar danos ao trabalho, identidade ou propriedade online de outras pessoas é crime. Numa sociedade ética, as pessoas devem estar cientes das regras da sociedade. A lei se aplica a qualquer pessoa que trabalha ou se diverte online. Acessar ou usar ilegitimamente informação de terceiros, transferir ilegalmente músicas, plagiar, criar vírus, enviar spam ou roubar a identidade/propriedade de qualquer pessoa não é ético.

 

7. Direitos & Responsabilidade Digital: direitos estendidos a todos no mundo digital.

Tal como na Constituição existe uma Declaração de Direitos, há um conjunto básico de direitos estendidos a todos os cidadãos digitais. Cidadãos digitais têm direito à privacidade, liberdade de expressão, etc. Os direitos digitais básicos devem ser abordados, discutidos e compreendidos no mundo digital. Com estes direitos também vêm responsabilidades. Usuários devem ajudar a definir como a tecnologia deve ser usada de forma adequada. Numa sociedade digital, direitos e deveres têm que caminhar juntos para que todos possam ser produtivos.

 

8. Saúde e Bem-Estar Digital: bem-estar físico e psicológico num mundo tecnológico.

Prevenir lesões da visão, lesões por esforço repetitivo (LER) e adotar boas práticas ergonômicas são questões que precisam ser abordadas num novo mundo tecnológico. Para além dos problemas físicos, estão os problemas psicológicos que se tornam mais presentes, tais como a dependência da Internet. Usuários precisam ser alertados quanto aos perigos inerentes à tecnologia.

 

9. Segurança Digital (autoproteção): precauções para garantir segurança.

Em qualquer sociedade há indivíduos que perturbam outras pessoas. O mesmo acontece na comunidade online. Confiar em outros membros da comunidade não é suficiente para nossa própria segurança. Em nossas casas, colocamos fechaduras nas portas e alarmes de incêndio para termos algum nível de proteção. O mesmo deve acontecer com nossa segurança digital. Precisamos adotar proteção contra vírus, contra cópias dos nossos dados e mecanismos de controle em nossos dispositivos.

 

Fonte: Digital Citizenship Institute