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Líderes mulheres são mais empáticas?

Ainda existe uma visão, tanto popular quanto acadêmica, de que o gênero feminino lida melhor com as emoções. Mas será que as mulheres realmente têm mais Inteligência Emocional que os homens? Ou se trata de mais um estereótipo?

 

De acordo com Nicole McInnes, especialista em mulheres na liderança e Inteligência Emocional, apesar dos ambientes profissionais atuais melhorarem a diversidade, às vezes para superar barreiras e chegar a cargos de liderança sênior, a mulher acaba precisando de uma dose de ambição muito maior do que do homem. “Daí vem a ideia de que líderes femininas poderosas são agressivas e implacáveis”, diz.

 

Para a especialista, ter uma atitude decidida é importante na liderança para obter bons resultados, mas é preciso lidar com as diferentes expectativas relacionadas a gênero, pois existe uma visão de que líderes femininas devem ser cuidadosas e colaborativas.

 

Com opinião parecida, Nina DiSesa, consultora de gestão na R3:JLB e autora do livro “Seduzindo o Clube do Bolinha” (Seducing the Boy’s Club), acha que ainda existe uma expectativa quanto ao comportamento das mulheres, de que se portem de certa maneira e, quando não correspondem à essa expectativa, são criticadas.

 

“Por exemplo, uma mulher pode ser acusada de ser muito “mandona” porque se espera que ela seja colaborativa. Assim, quando ela é mais decidida as pessoas podem se ressentir. Ou seja, tudo bem ser decidida, corajosa e focada — desde que seja também colaborativa, cuidadosa e tenha empatia”, acredita DiSesa.

 

De fato, usar a intuição para decidir e a capacidade de “ler” pessoas, detectando suas motivações e fragilidades são habilidades que, segundo estudiosos, têm a ver com a forma como o cérebro feminino funciona. Simon Baron-Cohen, psicopatologista da Universidade de Cambridge e autor de “Diferença Essencial”, afirma, com base em suas pesquisas, que o cérebro das mulheres apresenta uma tendência natural maior para a empatia e as relações humanas.

 

No entanto, para além dessa questão, McInnes defende que o essencial na liderança é manter um equilíbrio saudável entre a abordagem emocional e a pragmática. “Ao balancear tato e decisão, pensando bem e gerenciando com humanidade, líderes (homens ou mulheres) são capazes de aproveitar a Inteligência Emocional para ter empatia e construir relacionamentos fortes com os outros, comandando ambientes mais harmoniosos”, diz a palestrante de “O viés de gênero da Inteligência Emocional”.

 

Afinal, estabelecer conexões pessoais e profissionais no trabalho é a chave para progredir. Pessoas bem-sucedidas não operam sozinhas. Cada um de nós precisa do apoio de outros para obter resultados positivos que nos levem a atingir nossos objetivos.

 

Portanto, o sucesso nos negócios depende de líderes empáticos que possam se adaptar, desenvolver os pontos fortes em torno deles e se relacionar com o meio ambiente. “A verdadeira empatia combina tanto a compreensão emocional quanto a lógica que se aplica a cada decisão”, conclui McInnes.

 

Fonte: Forbes/ Nina DiSesa/ Simon Baron-Cohen/ Nicole McInnes