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Quem mente mais? Grupos ou indivíduos

Mentir é mais fácil para as pessoas em equipe. Isso foi o que cientistas comportamentais da Ludwig-Maximilians-Universitaet (LMU), em Munique na Alemanha, mostraram em um recente estudo experimental, publicado na revista Management Science.

 

Ao investigar as condições que facilitam a desonestidade, o estudo revelou que “quando as decisões são tomadas por grupos, o respeito pela verdade logo cede lugar a outras considerações”. Mas por que isso acontece?

 

Para descobrir, os pesquisadores Martin G. Kocher, Simeon Schudy e Lisa Spantig pediram aos participantes que assistissem a um vídeo mostrando o lançamento de um dado e dissessem qual o resultado. O número que cada um relatava definia seu pagamento por responder à pesquisa.

 

Diante disso, os participantes tinham que decidir entre relatar com sinceridade ou dizer um número maior para aumentar sua recompensa. A atividade foi apresentada individualmente e em pequenos grupos. No caso dos grupos, depois de ver o mesmo vídeo, as pessoas podiam conversar umas com as outras antes de relatar o resultado do dado lançado.

 

Mesmo os grupos formados por participantes que foram sinceros quando estavam sozinhos, frequentemente, decidiram indicar um resultado falso. Os pesquisadores referem-se a esse fenômeno como “variação de desonestidade”. Ou seja, trata-se de uma mudança que tem a ver especificamente com a norma de honestidade e que se manifesta principalmente pela comunicação dentro de grupos.

 

Isso ocorre porque, segundo Martin Kocher, que detém a Cadeira de Economia do Comportamento na LMU e é diretor do Instituto de Estudos Avançados em Viena, “a tomada de decisões em grupo envolve uma troca de pontos de vista que pode alterar a importância que as pessoas dão à norma relevante, ajudando grupos a reinterpretar mais facilmente a norma e a justificar seu comportamento desonesto”.

 

Ou seja, quando estão em grupo, as pessoas são inclinadas a apresentar mais razões para ser desonestas do que para cumprir a norma de honestidade. Por outro lado, Kocher afirma que as pessoas tendem a mentir menos quando decidem por conta própria.

 

De todo modo, essas descobertas mostram como é importante que empresas acompanhem mais de perto os processos de tomada de decisão em equipe. Como lembra Lisa Spantig, gestora do Laboratório Experimental de Ciências Econômicas e Sociais da LMU, muitos dos exemplos mais famosos de falta de ética corporativa nos últimos anos envolveram grupos.

 

A recomendação dos cientistas para combater tais comportamentos é que as organizações estabeleçam fortes normas éticas com o apoio de códigos de conduta, mas também monitorem processos de tomada de decisão dos grupos, garantindo que existam penalidades para quem violar as normas.

 

Fonte: ScienceDaily