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Curiosidade: essencial para progredir

Em seu livro “Curious”, o jornalista Ian Leslie analisa amplamente como funciona nossa curiosidade: o que a estimula ou a torna rara. E defende que é preciso cultivar nosso desejo de saber mais sobre as coisas, pois isso produz outras qualidades básicas, essenciais ao progresso de cada um na vida e no trabalho. Para ele, pessoas curiosas tendem a ser mais inteligentes, mais criativas e mais bem-sucedidas.

 

No entanto, ele explica que a curiosidade é como um músculo mental que se atrofia sem o exercício regular, por isso precisa ser cultivado como um hábito. Como qualquer outra habilidade, a curiosidade requer prática. Mas, segundo Leslie, isso vem acontecendo cada vez menos.

 

Segundo o autor, as novas tecnologias — como computadores e mecanismos de busca — parecem facilitar a exploração do mundo. Mas ao proporcionar às pessoas respostas fáceis para exatamente o que querem, essas inovações acabam limitando a curiosidade. Ou seja, paradoxalmente, os avanços tecnológicos, segundo ele, podem estar afetando a curiosidade e a criatividade.

 

Essencialmente, o que Leslie defende é que não há como evitar o trabalho duro a fim de adquirir uma compreensão verdadeira das coisas. Como exemplo, ele cita o xadrez, em que os jogadores se tornam mestres não porque aprenderam alguma equação universal, mas porque memorizaram centenas de jogos, por praticarem muito. Esses lances internalizados servem como uma biblioteca de referência, um simulador para “reproduzir” os muitos resultados possíveis de um jogo. Assim, quanto mais abrangente for o banco de dados interno, maior será a capacidade do jogador.

 

Em resumo, ele afirma que a boa e velha memorização é a base real para a habilidade, criatividade e maestria. Como cada novo conhecimento adere ao que já sabemos, quanto mais soubermos, mais facilmente vamos poder aprender coisas novas. Então, as mentes mais produtivas, de pessoas que persistem em entender, acabam absorvendo mais informação e ampliando seus bancos de memória, estimulando sua criatividade e conhecimento. Como diz o autor: “as habilidades vêm da luta”.

 

Leslie também ressalta a importância da “amplitude de percepção” — obstáculos e dificuldades necessárias que exigem mais do aprendiz e, como consequência, melhoram a absorção do conhecimento. Assim, ele encoraja profundidade suficiente para que as pessoas se destaquem em alguma coisa. Afinal, em suas palavras, “curiosidade é o que impulsiona e molda nosso intelecto”. Por isso as pessoas devem praticá-la sempre: continuar a explorar, aprender e descobrir à medida que ficam mais velhas.

 

Repleto de histórias inspiradoras, estudos de caso e conselhos práticos, o livro avança de um ponto a outro com fluidez, fornecendo ideias estimulantes sobre a melhor forma de moldar mentes humanas. Isso estimula no leitor a vontade de saber mais. Afinal, a curiosidade muitas vezes surge como uma necessidade sem retorno imediato — de uma pergunta aparentemente simples e aberta: por quê?

 

Fonte: Ian Leslie